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Conflitos no Sudão

  • Nome Oficial: República do Sudão
  • Capital: Khartum
  • Área: 2.505.813 km 2
  • População: 28,9 milhões de habitantes
  • Idioma: árabe (oficial), inglês e línguas africanas.
  • Religi&dicionais, 17,1% cristianismo, 8,2%
  • PIB: US$ 5 bilhões
  • Direitos Humanos: centenas de pessoas morreram vítimas de execuções extrajudiciais nas zonas de guerra. A tortura é generalizada. Os grupos de oposição armada cometeram abusos contra os direitos humanos, como homicídios deliberados e arbitrários.
  • Posição do IDH: 158º

A guerra no Sudão opõe as forças da Frente Nacional Islâmica, ligada ao governo do general Omar Hassan Ahmad al Bachir, ao Exército de Libertação do Povo Sudanês, que controla parcialmente três Províncias do sul do país.Al Bachir chegou ao poder em junho de 1989, por meio de um golpe militar. Com poderes ditatoriais, ele tenta impor a lei islâmica a todo o Sudão, mas enfrenta resistência no sul, onde há grande número de cristãos e animistas. Os rebeldes querem maior autonomia para a região.Acredita-se que a repressão à rebelião no sul e a fome, agravada pela seca, tenham causado a morte de 1,5 milhão e provocado o deslocamento forçado de 5 milhões desde o início da guerra. A região em conflito tem cerca de 8 milhões de habitantes.

Embora nenhum país do mundo admita hoje a escravidão legalmente, há práticas comuns, tanto em países pobres quanto desenvolvidos, que são identificadas como formas modernas de escravidão.
Escravo de dívidas
É o trabalhador "amarrado" a seu empregador por dívidas contraídas por ele mesmo ou por seus pais. É o caso do migrante que recebe ajuda para viajar e, depois, trabalha para pagar o custo da viagem.
Servidão
É o caso de um trabalha-dor rural sem terra forçado a trabalhar para um proprietário, em troca de um acesso a uma área onde ele passa produzir para si próprio.
Casamento servil
Em vários países, meninas são prometidas em casamento a homens mais velhos desde pequenas. Em certos casos, os pais recebem um pagamento em forma de dote.
Crianças escravas
É o caso de crianças "adotadas" por famílias, que as criam em troca de trabalho doméstico, por exemplo. Freqüentemente, elas não são enviadas à escola.
Em troca de proteção
Especialmente em países de guerra, é muito comum pessoas serem forçadas a trabalhar de graça para as partes em conflito, em troca, por exemplo, de proteção.

 

(A ONG (organização não-governamental) de direito dos seres humanos Solidariedade Cristã Internacional afirma ter comprado e depois libertado 2.035 escravos no sul do Sudão, durante uma viagem de sete dias no país.
A entidade diz ter pago US$ 50 por cabeça, em dinheiro, a um intermediário árabe. A organização, com sede na Suíça informa ter libertado mais de 11 mil cativos desde 1995. Essa última libertação é recorde, segundo a instituição.
Segundo habitantes do sul do Sudão, milícias árabes armadas e organizadas pelo governo em Cartum (capital), vêm do norte do país para seqüestrar mulheres e crianças, que, depois, são usadas como escravas.
Desde a década de 80, o país vive uma guerra civil entre forças leais ao governo, que quer impor a lei islâmica a todo o Sudão, e rebeldes do sul que seguem o cristianismo e cultos locais e lutam por mais autonomia. Nesta semana, na pequena vila de Yagot, mais de 600 escravos se reuniram sob uma árvore para esperar pela libertação. Os meninos escravizados trabalhavam como pastores, e as meninas faziam serviços domésticos.
As crianças contaram histórias de violência estupro e assassinato enquanto estiveram em poder dos árabes que as capturaram.
Ayak, que disse estar perto dos 20 anos, afirmou que estava grávida quando foi capturada há três anos na vila de Rianwei.
"Quando uma mulher tentava escapar, todas apanhavam. Eu fiquei inconsciente uma noite inteira. Quando acordei, minha perna estava paralisada e eu estava sangrando. Então perdi meu bebê", relatou.
Ela disse ter ouvido que seu marido ainda está vivo. Mas espera que aceite o bebê que levará para casa, produto de um estupro. Ela foi violentada por seu senhor árabe no norte do país.

Outra ex-escrava, Amel, passou seis anos cativa. Ela disse que seu marido foi morto. Dois de seus três filhos foram tirados dela quando chegou ao norte.
Grupos de direitos humanos afirmam que há dezenas de milhares de escravos capturados no sul do Sudão, depois levados ao norte do país, a maioria trabalhando para árabes nas Províncias de Darfur e Kordofan.
Os críticos da prática da Solidariedade Cristã Internacional de comprar escravos para depois soltá-los afirma que estimula o comércio de escravos.
Segundo Carol Belamy, chefe do Unicef, agência da ONU para a infância, a organização está entrando em um círculo vicioso.
"Com US$ 50 por escravo em um país em que a maior parte das pessoas sobrevive com menos de US$ 1 por dia, essa prática estimula e o trám menos de US$ 1 por dia, essa prática estimula e o tráfico e a criminalidade", disse em comunicado.
A Unicef diz ainda ser contra, por princípio, à compra de escravos, mesmo que com o objetivo de libertá-los depois.
A organização suíça responde à acusação afirmando que a escravidão já existia muito tempo antes de seus membros começassem a libertar escravos.
Segundo a entidade, neste ano, quando foi libertado um número recorde de escravos, os habitantes do Sudão afirmaram que houve menos capturas.
Mas James Jacobson, da dissidência americana da Solidariedade Cristã Internacional, a Liberdade Cristã Internacional, diz ter encontrado provas de que crianças fingem ser escravas para atrair os dólares do Ocidente.
"Isso se transformou em um circo. O dinheiro do Ocidente está fazendo a situação piorar." )

Publicado na Folha de São Paulo de 09/07/99

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Bruno Gallas
Felipe Brunholi
Gustavo Sozzi
Marcela Fassina
Roberto Mellão
Tauan Mendonça